Cultura da Convergência

Não, Convergência não é o último filme flop da saga Divergente.

Convergência é um fenômeno que vêm transformando as mídias nas últimas décadas. O estudioso norte-americano Henry Jenkins define convergência como “o fluxo de conteúdos através de múltiplos suportes midiáticos, a cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e o comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam.”

Aí você me pergunta: 

Seguinte, sabe quando você viu um vídeo ou uma notícia na TV e vai correndo procurar ela online? Ou quando você não pôde ver aquele filme no cinema e vai esperar ele sair no torrent rs na Netflix? Você percebe que esses meios midiáticos são completamente diferentes e que você consome todos eles com propósitos diferentes? Pois é, aí entra a convergência. Com esse fenômeno a gente vem passando por uma transformação cultural.

Mas de que maneira?

Com o surgimento das “novas tecnologias” alô Monique houve um grande burburinho de ideias e opiniões, algumas diziam que as velhas tecnologias iriam desaparecer, ficar completamente obsoletas.

Mas será que realmente todas as tecnologias antigas ficaram obsoletas? Muitas delas convergiram com as novas tecnologias em uma união que faz com que os consumidores sejam incentivados a buscarem novas informações em diferentes mídias. Um exemplo de convergência é o próprio smartphone na sua mão. Antes, o celular era uma tecnologia criada para fazer e receber ligações, o máximo que tínhamos dentro dele era o famoso “jogo da cobrinha” que todo mundo mais velho de 15 anos provavelmente conhece. Hoje, o celular te dá inúmeras, quase infinitas, possibilidades de entretenimento. Câmera, jogos, aplicativos que te permitem desde enviar mensagens de graça até pagar as contas. Com essa fusão nós temos diversos serviços que antes eram oferecidos separadamente em um só.

Mas a convergência não se dá apenas por meio de tecnologias e aparelhos, ela ocorre nos consumidores individuais e suas interações sociais. Com tantas mídias nos bombardeando com informações nós acabamos de certa maneira sobrecarregados, o que nos incentiva a conversar com o outro sobre as mídias que consumimos.

Daí vem o conceito de cultura participativa e inteligência coletiva, antes as grandes empresas possuíam o monopólio e o controle de tudo e o consumidor era apenas um receptor passivo. Por exemplo, a televisão e os jornais, eles apenas passavam a informação ao consumidor sem dando nenhum tipo de chance do mesmo responder ou contribuir.

Hoje a gente sabe que é diferente, claro que o produtor ainda exerce um poder maior na mídia do que o consumidor, mas o burburinho causado pelas interações entre os consumidores já gera uma preocupação por parte das grandes mídias. O público já tem uma grande participação e muitos produtores já aprenderam a conviver e aprender com essa interação. Quem nunca disse “vou xingar muito no Twitter?” depois de ver aquele episódio da série em que o seu personagem favorito morreu?

E com essa mudança a gente não parou por aí, o receptor não se contentou só com participar, agora o ele também pode criar seus próprios conteúdos para as mídias. É nesse momento que eu puxo o conceito de “liberação do pólo da emissão” de André Lemos. É a possibilidade do antigo receptor “passivo” começar a produzir e emitir sua própria informação, através de blogs, fóruns e comunidades.

E é aí que eu trago o Youtube pra conversa.

O Youtube foi o primeiro site a ter em uma mesma plataforma a capacidade de produção, seleção e distribuição de conteúdo. O Youtube é tão importante que Jenkins também fez observações quanto o site:

  • O Youtube representa o encontro entre várias comunidades independentes produzindo mídia há algum tempo, e que foram reunidas em um só portal agregador de conteúdo em streamming;
  • O Youtube funciona como um arquivo de mídia onde curadores amadores enquadrinham o ambiente a procura de conteúdos significativos, trazendo-os a um público maior (por meios legais ou ilegais); neste caso vale tanto conteúdo amador – vídeos caseiros, quanto conteúdo produzido por grandes empresas de
    comunicação postados no portal;
  • O Youtube funciona em relação a uma série de outras redes sociais, sendo que seu conteúdo se espalha em blogs e outras mensagens como Facebook, Myspace,
    etc. (p. 348-349).

O Youtube também está presente nas mídias que estão sofrendo mudanças com a cultura da convergência, sendo inserido em contextos que antes jamais se pensaria. Um exemplo é o debate presidencial da CNN que foi ao ar em 2007 que deu a oportunidade dos internautas terem suas perguntas respondidas pelos candidatos à presidência através do Youtube. Esses debates tiveram grandes controvérsias e reações negativas, mas foi um grande exemplo de convergência entre mídias e uma maior interação com o receptor.

Outro exemplo que a gente pode dar é a própria publicidade. A publicidade também sofreu mudanças drásticas graças as novas tecnologias. Foi necessário se mudar toda uma forma de pensar e fazer um grande estudo das mídias digitais e como a interação com o público nelas muda completamente. A publicidade que você vê na televisão não é a mesma que você vê no meio digital ou impresso, são mídias diferentes que tem uma diferente interação com o público. Não é raro ver uma peça publicitária no Youtube com mais de 1 minuto e ver essa mesma peça na televisão de uma forma mais rápida e curta. Ou uma publicidade na televisão que te incentiva a compartilhar um vídeo ou uma foto. É a publicidade se adaptando às novas tecnologias e tentando incentivar o consumidor  a procurar por informações em outras mídias.

Além disso, também podemos falar sobre o fenômeno dos Youtubers. Com essa plataforma que nos permite produzir e distribuir conteúdo pudemos acompanhar o “boom!” dos vloggers e youtubers. No Brasil, o fenômeno dos youtubers teve como grande incentivo a distribuição de opiniões em formas de vídeos. Quem, em pleno 2010, nunca tinha visto um vídeo do Felipe Neto? Ele, e muitos outros, resolveram usar essa plataforma para produzir seu próprio conteúdo que diga-se de passagem não era assim tão bom não e ganharam milhões de visualizações tanto de pessoas que concordavam ou discordavam deles.

Além disso, podemos comentar sobre a conexão que as novas tecnologias nos trazem. Por exemplo, eu poderia gravar um vídeo para o YouTube e pessoas de qualquer lugar do mundo poderia assisti-lo. Não basta apenas produzir também é preciso distribuir e isso é feito por meio das redes. Com essa possibilidade de uma maior integração nós nos encontramos assistindo vídeos produzidos do outro lado do mundo qie chegaram até nós através dessa plataforma.

Outra coisa a se ressaltar é como o YouTube também funciona como um arquivo onde você pode encontrar diversos conteúdos de diversas mídias em uma mesmo lugar. Quem nunca viu um filminho básico no YouTube? Ilegal ou não, esse filme está lá é ele provavelmente não foi feito para esse tipo de mídia.

O YouTube hoje é uma plataforma que se adaptou muito bem á convergência.  Você pode acessá-lo de diversos lugares e mídias, como por exemplo do seu celular, ou da sua televisão. Com novas tecnologias como o Chromecast já lhe permitem uma integração ainda maior, nos dando a possibilidade de conectar, por exemplo, um dispositivo móvel á sua televisão.

Enfim, é inegável que a convergência é um fenômeno com o qual convivemos diariamente, mas já se tornou algo tão cotidiano que as vezes nem paramos pra pensar nas diferentes fusões de mídias que vemos é fazemos todos os dias.

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