Youtube é uma plataforma acessível para todos?

Vamos começar falando sobre Internet. Segundo Bauman, a distância é um produto social cuja extensão varia de acordo com a velocidade com a qual pode ser vencida. Sendo assim, a gente pode dizer que a internet venceu muitas distâncias né? Ela vêm conectando a vida de pessoas geograficamente distantes, além de fornecer um fluxo diário de informações.

Mas essa internet é acessível a todos? E o que significa ser acessível?

Acessível, segundo a ABNT é um espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento que possa ser alcançado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa, inclusive aquelas com mobilidade reduzida. O termo acessível implica tanto acessibilidade física como de comunicação.

Na internet isso tem a ver com o design e o layout da página. Existem diversas ferramentas que permitem essas pessoas com deficiência acessar sites e redes sociais. O uso dessas tecnologias assistivas permite que essas pessoas se insiram nessas redes e mantenham uma vida social ativa.

Você já ouviu alguma vez a reclamação de um amigo que possui alguma deficiência auditiva ou visual sobre o Youtube? Já? É de se esperar, uma vez que a plataforma Youtube tem mais de dez anos e ainda caminha na questão de ajustes em relação à acessibilidade. É um fato estranho já que a Google (dona do Youtube) possui uma ferramenta própria de acessibilidade chamada “Google Acessibilidade”, que permite aos usuários deficientes visuais e auditivos tenham acesso a uma melhor comunicação pelo dispositivo android.

Atualmente o Youtube disponibiliza a ferramenta auto-caps, mais conhecida como CC, igual aquele que tem na sua TV, sabe?! Pois é… o auto-caps usa os algoritmos de reconhecimento de voz pelo Google Voice para gerar automaticamente legendas paras os vídeos e possui tradução em 51 idiomas, incluindo o português brasileiro e o espanhol. Nós sabemos que as legendas nem sempre são perfeitas, mas mesmo tendo defeitos, eles ainda são úteis. Mas o desafio de transcrição e documentação é imenso, a cada minuto são realizados diversos uploads na plataforma e o proprietário nem sempre está disposta à adicionar legendas aos seus vídeos, sendo assim a maioria do conteúdo fica sem transcrição, dependendo diretamente do CC.

A Youtuber Bruna Miranda que tem um canal pouco conhecido e fala sobre a realidade da acessibilidade de deficientes auditivos no Youtube devido os próprios youtubers não usarem legendas nos seus vídeos limitando o acesso, confira:

Como foi dito no vídeo, o youtube também dá a liberdade para que os usuários ponham legenda nos vídeos, assim, os deficientes auditivos, por exemplo, poderiam ter acesso. Qualquer um pode enviar conteúdo para um vídeo inteiro ou adicionar somente o que souber, mas este conteúdo só fica disponível com a aprovação do proprietário do vídeo. Então podemos levantar outra questão: Os usuários/pessoas do Youtube se importam com as pessoas com deficiência? O Youtube possui mais de um bilhão de usuários que assistem milhares de vídeos diariamente, desses milhares de vídeo quantos possuem legenda? A tarefa de legendar um vídeo pode não ser simples, mas também não é tão complicada, mesmo assim o número de vídeos legendados é mínimo. Outro ponto muito importante é como o deficiente visual consegue ter acesso ao Youtube, muitos vídeos não tem um bom áudio ou são muito “visuais” para que esses usuários consigam compreender tudo. Porém, isso depende do posicionamento de cada canal, a maioria é feito para pessoas sem deficiências e seria impossível regulamentar que todos os vídeos tivessem um padrão de acessibilidade, uma vez que grande parte dos autores são pessoas comuns, ou seja, não profissionais nem da área de produção audiovisual, nem de ensinamentos sobre acessibilidade.

O que o Youtube poderia fazer, seria incentivar pessoas com alguma deficiência à produzir conteúdo para outras pessoas com as mesmas deficiências, afinal, isso já existe, como o youtuber Thommy Edison que possui o canal Thommy Edison Experience, onde ele conta suas experiências como deficiente visual de um jeito humorado:

Claramente isso pode ser ampliado e estimulado, não só para que elas compartilhem como é ter tal deficiência, mas também para que façam produtos sobre qualquer assunto,  pois ninguém melhor que elas sabe o que é preciso ser feito e como ser feito afim gerar melhor entendimento desse grupo, como é o caso de Lucy Edwards, youtuber britânica deficiente visual que fala sobre beleza, maquiagem, moda, seus vídeos são preparado de maneira para que pessoas iguais à ela consigam perceber o que está sendo dito e feito:

https://www.youtube.com/watch?v=RjGfKIvAk_Y

Segundo Martino, um site é relação entre seus humanos pautada pela flexibilidade de sua a estrutura e pela dinâmica entre seus participantes. Esses Youtubers que citamos que publicam conteúdo sobre sua vida cotidiana e suas dificuldades geram uma certa empatia tanto em pessoas com ou sem algum tipo de deficiência física.

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